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36 Dias em Setembro
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Entrada Livre
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Estás a mostrar que são estados interdependentes.
Assim, na tua peça, a realidade parece menos uma
coisa sólida e mais um ciclo de limiares.
A peça não termina quando desaparece.
De certa forma, é aí que começa.
Se tudo se mede pelo "depois"...
qual é, então, o estatuto do "agora"?
Mas nada é necessariamente revelado.
(excertos de uma conversa com Aarush)
Pedrada no Charco
Um charco não é apenas água parada. Nele acumulam-se sedimentos, matéria, reflexos, onde
vivem diferentes seres vivos. À superfície, pouco parece acontecer. Até que uma pedra cai na
água.
O impacto produz ondas, desloca o que estava depositado no fundo e perturba, por algum
tempo, aquilo que parecia imóvel e aparentemente inalterável.
Uma pedrada no charco não tem de ser um grande acontecimento. A pedra pode ser
pequena... O que importa é o que acontece quando atinge a água e aquilo que põe em
movimento.
É a partir desta imagem que surge Pedrada no Charco, um ciclo de exposições na sala de
exposições dos Maus Hábitos, no Porto, com Francisco Queirós, António Caramelo, Xavier
Almeida, Ruben Santiago, Bárbara Fonte e Carlos Mensil.
Não se procura estabelecer entre estes artistas uma linguagem comum, nem construir uma
unidade onde ela não existe. Cada projeto ocupa o espaço a partir da sua própria prática
artística, e introduz nele uma perturbação singular. A relação entre elas acontece no tempo,
através da sucessão das exposições e das diferenças que estas tornam possíveis.
Também não se espera que cada exposição seja uma provocação. Perturbar pode significar
deslocar ligeiramente uma coisa, interromper um hábito, insistir numa dúvida ou obrigar a olhar
novamente para algo que parecia já conhecido.
Depois de uma pedrada, as ondas alargam-se e acabam por desaparecer. A água pode voltar
a parecer imóvel. Mas alguma coisa foi deslocada, mesmo que não saibamos imediatamente o
quê.
Talvez seja essa a questão que acompanha Pedrada no Charco: saber se, depois de cada
exposição, alguma coisa permanece fora do lugar.
João Baeta
Porto, setembro de 2026