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Belinda Rose
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Há uma certa inevitabilidade em belinda rose, um projeto multidisciplinar que nasce da necessidade de deixar para trás versões anteriores de si próprio para poder começar de novo. Escrito entre Nova Iorque, Kansas City e Lisboa ao longo de 2025/26, o álbum de estreia, Turn to Clear Vision (2027), é produzido e misturado por Cláudio Tavares, dos Glockenwise / Colinas, e masterizado por Greg Orbis, cujo trabalho inclui nomes como Slow Pulp, Wishy, MJ Lenderman e Terno Rei. No Porto, apresentam o seu single de estreia - Yesternight - onde a banda explora temas como a dissociação da era digital, o peso da ansiedade, o absurdo político, a criação artística numa era marcada pela inteligência artificial e a violência silenciosa da dúvida interior — sem nunca se render ao cinismo. Musicalmente, belinda rose habita um espaço entre o shoegaze e o post-punk, sem se encaixar confortavelmente em nenhum dos dois. O disco tem a escala e a distorção do shoegaze, mas rejeita a sua contenção; transporta a inquietação e a urgência do post-punk, sem se esconder atrás da distância emocional. As vozes cruzam-se e desaparecem no meio do ruído, alternando entre contenção e catarse enquanto os arranjos se expandem, fragmentam e, por vezes, encontram subitamente um ponto de clareza.
Formada por músicos do Brasil, de Portugal e dos Estados Unidos, a banda constrói um universo sonoro assente em guitarras e baixos densos, paredes de som e linhas vocais etéreas. O resultado é uma música estranhamente familiar, mas difícil de situar — como uma memória de algo que já esquecemos. belinda rose é simultaneamente despedida e chegada. É um grupo de pessoas que deixa para trás os seus lugares de origem e transforma essa necessidade de pertencer a outro lugar numa linguagem própria, através da música e das artes visuais. Apesar de ser um projeto recente, Arthur, Margarida, Michelle, Ribeiro e Simon reúnem mais de uma década de experiência em digressões internacionais, tendo passado por festivais como SXSW, ESNS, Primavera Pro e Focus Wales. Essa experiência cruza-se agora num coletivo multidisciplinar de rock alternativo, formado por diferentes geografias, percursos e identidades.
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