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João Pedro Trindade
a poesia da terra nunca morre
2020
16 janeiro

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21:30

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Entrada livre

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Ciclo "Poético ou Político?" com curadoria de João Baeta

“(…) Adorava admirar a beleza das coisas, descortinar no imperceptível, através do que é diminuto, a alma poética do universo.
A poesia da terra nunca morre. (…)”


Fernando Pessoa, Páginas Íntimas e de Autointerpretação.


«De todas as coisas que vemos num dia, quantas delas tomamos por coisas vulgares? Quanta poesia nos passa por debaixo dos olhos quando estes se mantêm, de forma compulsiva, a um nível superior do chão?
Talvez o fascínio que acontece, sem que entendamos porquê, resida aqui, na inesperada delicadeza daquilo que esteve sempre lá.

Poderemos dizer que alguém que caminha de olhos no chão é alguém que procura saber onde pousam os seus pés, se o caminho é certo; de olhos postos no chão também andarão aqueles que evitam confronto, aqueles cujos pensamentos não os deixam levantar a cabeça, aqueles que tentam a sorte na esperança de encontrar uma nota esquecida, e ainda aqueles para quem o chão passou a ser lugar de recolha.

A recolha de João Pedro Trindade, calada e persistente, não acontece por capricho mas antes porque a sua natureza assim o pede.

O olhar projecta-se numa espécie de bengala que encontra o seu sustento no chão
- dá-se a imagem;
o silêncio de quem caminha entre uma tarefa e outra onde tantas vezes o tempo que sobra para contemplação é esse mesmo, o do caminho
- de novo a imagem.

Quantas vezes tomei os meus olhos por superficiais ao ver o que os olhos do João captavam: imaginando-nos de olhos postos na mesma superfície, pergunto-me se ainda assim seria possível resgatar o que ele resgataria.
Aí reside a sua poesia, na capacidade de colher e consequentemente de transformar os ínfimos detalhes dos nossos dias.»

Rita Senra


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João Pedro Trindade (Aveiro, 1990) vive e trabalha no Porto.
Tem vindo a colaborar em projectos de desenvolvimento e divulgação cultural como a Painel (2012/2014) e Nartece (2015/2017), integrando actualmente a equipa do projecto Sismógrafo.
Enquanto autor, tem vindo a fazer uso de meios como a pintura, a escultura e a instalação na investigação e produção do seu trabalho.
Desde 2016, exerce funções de assistente de produção oficinal na companhia de Teatro de Marionetas do Porto.
Licenciou-se em Artes Plásticas - Pintura, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto

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(restaurante até 02:00)

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