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Stout Cobweb
Susana Gaudêncio

6 Março a 4 Abril
Inauguração 6 Março, 18h

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Stout Cobweb #2

Stout Cobweb: a Política da Forma

Espaço é um receptáculo sem dimensão em que o intelecto coloca a sua criação.
Que também eu possa colocar neste a minha forma criativa.

Kasemir Malevich, folha de sala da exposição “The Last Futuristic Exhibition of Pictures”

Installed in a language that has already done so much speaking.
Maurice Merleau-Ponty em “Signs”

No texto “Form as Social Commitment”, Umberto Eco define artista de vanguarda como o único capaz de estabelecer uma relação significativa com o mundo em que vive, desafiando os sistemas tradicionais através da sua linguagem intrínseca – a forma. As obras de vanguarda podem ser entendidas como resultado da contradição entre autonomia da obra de arte e intervenção social. Nesta antinomia reflectem-se tanto a estrutura do trabalho como as condições da sua recepção e é isto que se constitui como uma possível política da arte através da estética.
Esta afirmação não é inédita no percurso de Susana Gaudêncio. Na obra da artista, a estética assume-se sempre como subtil questão ideológica. Ao manipular directamente o imaginário colectivo da arte, Stout Cobweb desloca-se para domínios metafísicos ou ontológicos dos contextos artísticos, em particular para um dos seus modos de legitimação—o espaço expositivo. Stout Cobweb tem como ponto de partida formal e conceptual exposições e eventos realizados no século XX, em contextos de vanguardas, apresentações de manifestos, bienais e salões de arte.

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Stout Cobweb #1

Ao evocar as recorrentes disputas entre produção artística e os seus circuitos, através de propostas de libertação dos processos criativos aos espaços confinados de apresentação do objecto de arte, Susana Gaudêncio opta por dirigir o seu mordaz comentário a dois momentos históricos de ruptura—a sala “Suprematism on Painting” de Kasemir Malevich na exposição “The Last Futuristic Exhibition of Pictures” (1915) e a instalação “Mile of String” de Marcel Duchamp na exposição “The First Papers of Surrealism” (1942). Nas serigrafias, estas “citações” estendem-se a outros momentos expositivos.
Mas o que significará, em Stout Cobweb, questionar a vanguarda (histórica)?
Se as vanguardas promoveram cisuras determinantes com as artes clássicas ou académicas, Susana Gaudêncio propõe-se desmontar as vanguardas, ou dito de outra forma, todo e qualquer momento de instituicionalização da arte (se “o modernismo é a nossa antiguidade”, o avant-garde é agora o nosso mainstream).
Citar surge aqui não como reverência mas como subversão. A citação, como princípio estruturante desta exposição, é identificada desde logo no título da mesma. “Stout cobwebs” (Teias robustas) foi a expressão utilizada para descrever a instalação de Marcel Duchamp “Mile of String” na exposição retrospectiva “The First Papers of Surrealism” (1942). Na mansão Whitelaw Reid em Nova Iorque, Duchamp suspendeu 1,6 km de corda que envolviam toda a área expositiva, ocultando as obras presentes.
Retirar o título da exposição da acção de Duchamp, corrresponde a uma tentativa da artista de voltar ao lugar, não mais para o rever como ficheiro morto, documental, mas literalmente restituindo-lhe o movimento, metáfora da sua acção. É esta urgência de reconstituição do valor performático das obras, de devolução da sua dinâmica perdida, que justifica a utilização da animação.

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Stout Cobweb #2

Através da difícil tarefa de transformação dos ícones (princípio recorrente do discurso da artista), o conjunto de obras apresentado parte sempre de uma primeira imagem documental de exposições de vanguarda. Desta forma, Gaudêncio testa as implicações da manipulação do documento, satirizando a importância deste como único modo para aceder ao passado.
Cada uma das obras em Stout Cobweb é tautológica. Na reconstituição de “Mile of String”, por exemplo, Susana Gaudêncio reconhece primeiro a motivação de Duchamp que, nas palavras do autor, toma a sua intervenção como um “combate ao segundo plano”, as pinturas dos restantes artistas surrealistas. A artista radicaliza este manifesto ao anular por completo esse fundo, a ponto de nada mais restar que uma composição abstracta bidimensional. Na obra em que se anima a sala de Malevich, a tensão é provocada pelo absurdo das formas que caem, vítimas pura e simplesmente da lei da gravidade. Os quadrados como módulos quase religiosos em Malevich, não são agora mais que um amontoado de formas no chão.
O conjunto de serigrafias explora os príncipios de sedimentação e transporte das iconografias. Aqui, as formas de outras exposições instalam-se em espaços aparentemente estranhos aos da sua origem. A migração das formas expõe relações invisíveis entre momentos históricos distintos, apenas revelados pelas testemunhas fugazes dos espaços—os espectadores.
Para operar a reconstituição ficcional, que coloca o documento no limbo entre verdade e mentira, a artista utiliza a piada como modelo de subversão, como linha paralela à realidade. Em Stout Cobweb ser jocoso assume-se como atitude crítica subversiva, como modo de exposição das contradições da história.
Stout Cobweb encontra nos entre-espaços da história, possibilidades para uma ficção. Ao revelar com humor as “armadilhas” da história, desmonta os momentos de conversão da vanguarda em convenção. Como palimpsestos dos manifestos originais, a atitude das obras de Susana Gaudêncio é acima de tudo uma homenagem que extingue a neutralidade provocada pelo peso da história. Com a sátira constrói-se o tributo.
Sofia Gonçalves

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Um Século, Dez Lápis, Cem Desenhos – Viarco Express
Complexo Industrial da Oliva – S. João da Madeira
27 Fevereiro a 17 Abril 2010
Inauguração às 16h30

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O projecto Viarco Express, que partiu do encontro da Fábrica de Lápis Viarco com a Associação Cultural Saco Azul e o Espaço de Intervenção Cultural Maus Hábitos, é fruto de um desejo de criação de políticas e dinâmicas que fomentem a produção no campo das artes em Portugal.
Partindo de uma regra simples, um vulgar jogo de estafeta, fizemos de dez lápis testemunhos do panorama da produção artística em Portugal. [ver informação mais detalhada no menu Exposições Passadas]

Albuquerque Mendes, Alexandra do Carmo, Álvaro Leite, Siza Vieira, Ana Anacleto, Ana Guedes, Ana Pérez-Quiroga, Ana Pimentel, Ana Torrie, Ana Vidigal, André Alves, André Carrilho, Ângelo de Sousa, António Antunes, António Charrua, António Jorge Duarte, António Melo, António Olaio, Augusto Cid, Baltazar Torres, Brian Cronin, Bruno Borges, Carla Capela, Carlos Botto, Carlos Carreiro, Carlos dos Reis, Carlos Pinheiro, Cristina Lamas, Cristina Robalo, Cristina Sampaio, Daniel Barroca, Diogo Pato, Eduardo Salavisa, Egas José Vieira, Fabrizio Matos, Fátima Mendonça, Fernando Conduto, Fernando Pinto Coelho, Francisco Queirós, Francisco Vidal, Frederica Bastide Duarte, Gerardo Burmester, Graça Morais, Guida Casella, Hugo Canoilas, Isaque Pinheiro, Joana Vasconcelos, João Baeta, João Catarino, João Pedro Vale, Joen P-Vedel, John Hawke, Jorge Abade, José Emidio, José Louro, Julião Sarmento, Karina Cid, Luís Figueiredo, Luís Lima, Luís Gonçalves, Luís Penha, Mafalda Santos, Manuel Graça Dias, Manuel Santos Maia, Margarida Rebelo Pinto, Maria Velez, Mariana Moraes, Marta Soares, Marta Wengorovius, Mauro Cerqueira, Miguel Vieira, Mónica Cid, Nuno de Sousa, Nuno Vidigal, Paula Rego, Paulo Brighenti, Paulo Mendes, Paulo Patrício, Paulo Quintas, Pedro Barbosa, Pedro Cabral, Pedro Cabrita Reis, Pedro Pousada, Pedro Quintas, Pedro Ravara, Pedro Reis, Rasmus Blaedel, Ricardo Pistola, Rita Guedes Tavares, Rui Chafes, Rute Rosas, Samuel Silva, Sara Maia, Susana Mendes Silva, Vasco Barata e Yasuto Masumoto.

Complexo Industrial da Oliva
Rua Oliveira Júnior (junto ao Museu da Chapelaria)
S. João da Madeira
Horário: Terça a Sexta das 9h às 12h30 e das 14h às 18h, Sábado e Domingo das 10h às 13h e das 14h às 18h.

Apoio institucional: Câmara Municipal S. João da Madeira e Museu da Presidência da República
Produção: Viarco, Maus Hábitos e Museu Chapelaria

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